Por que a taxa do empréstimo pessoal muda tanto de um banco para outro

O juro médio do empréstimo pessoal foi de 6,42% ao mês em setembro de 2026, segundo o Banco Central. Mas a média esconde uma distância enorme entre um banco e outro.

Na semana de 9 a 16 de outubro de 2026, 22 instituições cobraram entre 1% e 3% ao mês. Outras 25 cobraram 10% ou mais. Num empréstimo de R$ 5.000 em 12 vezes, isso pode separar um total de R$ 5.720 de um total de R$ 11.338.

Três réguas de madeira com fichas enfileiradas, roxas, laranja e rosa, sobre uma pincelada amarela

Quanto a taxa varia entre os bancos?

Toda semana, o Banco Central publica a taxa média que cada banco e financeira cobrou em cada tipo de crédito. Na semana de 9 a 16 de outubro de 2026, a lista do crédito pessoal trouxe 79 instituições.

Sete delas cobraram entre 1% e 1,8% ao mês. Do outro lado, seis cobraram mais de 15%, e a mais cara chegou a 21,42%.

A média de 6,42% ao mês fica no meio desse leque. Ela diz pouco sobre a taxa que o seu banco vai oferecer a você.

Quanto essa diferença pesa em reais?

Como exemplo, pense num empréstimo de R$ 5.000 em 12 vezes. A tabela mostra a parcela e o total pago em cinco taxas dentro desse leque, já com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o imposto cobrado no crédito.

Empréstimo de R$ 5.000 em 12 parcelas, com o IOF. A média é a do crédito pessoal em setembro de 2026, medida pelo Banco Central.
Taxa ao mêsParcelaTotal pago
1,8%R$ 477R$ 5.720
3%R$ 513R$ 6.155
6,42%, a médiaR$ 624R$ 7.484
10%R$ 751R$ 9.009
15%R$ 945R$ 11.338

Entre a primeira e a última linha, a diferença é de R$ 5.618. É mais do que o próprio valor emprestado.

A conta de quanto vou pagar no empréstimo faz essa mesma conta com o valor, o prazo e a taxa que você recebeu.

Por que um banco cobra tão mais que outro?

O juro sobe com o risco. O banco cobra mais de quem tem mais chance de atrasar e de quem não dá nenhuma garantia de pagamento. Cada banco mede esse risco do seu jeito, olhando a renda e o histórico de pagamento de quem pede.

No crédito pessoal, o atraso é alto. Em setembro de 2026, 11,06% do dinheiro emprestado nessa linha tinha parcela atrasada havia mais de 90 dias, perto do recorde de 11,07% de agosto.

Por isso a taxa muda com a pessoa e com o banco. Vale pedir propostas em mais de um lugar.

Com garantia, a taxa cai quanto?

No consignado, a parcela sai direto do salário ou do benefício, antes de o dinheiro chegar à sua conta. Com esse desconto em folha, o banco corre menos risco e cobra menos.

Em setembro de 2026, o consignado do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) cobrou em média 1,76% ao mês, e o Crédito do Trabalhador, para quem tem carteira assinada, 3,75% ao mês. Na semana de outubro, a instituição mais cara do consignado privado cobrou 5,61% ao mês, menos que a média do crédito pessoal.

Se você é aposentado ou tem carteira assinada, compare antes com essas linhas. As contas do consignado do INSS e do Crédito do Trabalhador mostram quanto cada uma libera.

Como usar a taxa dos outros bancos a seu favor?

Antes de assinar, peça a taxa ao mês, a taxa ao ano e o total a pagar. O Código de Defesa do Consumidor obriga o banco a informar a taxa efetiva anual e o total antes do contrato.

Compare a proposta com a média na conta de taxa alta. Se ela ficar bem acima, peça uma taxa menor ou procure outra instituição.

Quem já tem um empréstimo caro pode quitar antes com dinheiro mais barato. O banco não pode cobrar tarifa pela quitação antecipada, e os juros que faltam saem da conta.