Paguei só o mínimo do cartão. O que acontece com o resto

Quando você paga só o mínimo, o resto da fatura vai para o rotativo, que cobrou em média 15,29% ao mês em setembro de 2026. É a linha de crédito mais cara do mercado.

Mas o rotativo tem prazo. Pela regra do Conselho Monetário Nacional, o saldo só pode ficar nele até o vencimento da fatura seguinte. Saber o que vem em cada etapa ajuda você a pagar menos.

Carteira roxa de onde sai uma tira rosa que vira uma sanfona de papel lilás, subindo até uma placa de vidro fosco

Quanto custa um mês no rotativo?

Como exemplo, pense numa fatura de R$ 1.000 em que você pagou R$ 150 de mínimo. Esse mínimo é só para a conta, porque cada fatura mostra o seu. Os R$ 850 que faltaram vão para o rotativo.

Com a taxa média de setembro de 2026, de 15,29% ao mês, esses R$ 850 viram perto de R$ 985 em um mês. A conta já inclui o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), imposto cobrado no crédito de pessoa física.

São uns R$ 135 a mais em 30 dias, sem nenhuma compra nova.

O que acontece no mês seguinte?

O saldo não pode continuar no rotativo depois do vencimento da próxima fatura. A partir daí, ele pode ser parcelado numa linha que, pela regra, precisa ser mais vantajosa que o rotativo.

O banco também pode oferecer o parcelamento antes, em qualquer dia até esse vencimento, desde que em condição melhor para você.

O que já foi parcelado não volta para o rotativo. Essa proibição está na mesma regra do Conselho Monetário Nacional. Antes de aceitar, peça a taxa ao mês, o número de parcelas e o total a pagar.

É melhor parcelar logo ou esperar um mês?

Parcelar logo sai mais barato, porque pula o mês mais caro. A conta abaixo usa a mesma fatura de R$ 1.000 e a taxa média do parcelamento da fatura em setembro de 2026, de 9,37% ao mês.

Fatura de R$ 1.000 com mínimo de R$ 150, nas taxas médias de setembro de 2026 medidas pelo Banco Central, já com o IOF.
CaminhoTotal pagoA mais
Pagar a fatura inteiraR$ 1.000R$ 0
Mínimo e o resto parcelado já, em 12 vezesR$ 1.634R$ 634
Mínimo, um mês no rotativo e mais 11 parcelasR$ 1.805R$ 805

Nesse exemplo, esperar um mês custa R$ 171 a mais. Melhor que as duas saídas é pagar a fatura toda. Se não der, a conta de parcelar a fatura ou pagar o mínimo refaz tudo com o valor da sua fatura.

Existe um limite para os juros do cartão?

Existe. Desde janeiro de 2024, a lei limita os juros e encargos do rotativo e do parcelamento da fatura ao valor original da dívida. Encargos são multa, juros de atraso, tarifas e comissões.

No exemplo, os R$ 850 podem custar no máximo mais R$ 850. A dívida para em R$ 1.700, mais o IOF, que fica fora do limite. O teto vale também quando o rotativo vira parcelamento.

Você pode pedir para renegociar essa dívida com o banco a qualquer momento. Contando os juros que você já pagou, o total continua limitado ao valor original.

O teto não deixa a dívida barata. Ele só impede que ela cresça sem fim.

O que fazer quando a próxima fatura chegar?

Antes de pagar só o mínimo de novo, compare as saídas em reais. Na média do Banco Central, parcelar a fatura custa 9,37% ao mês, e o crédito pessoal, 6,42% ao mês.

Veja um exemplo com as taxas de setembro de 2026. Uma dívida de R$ 3.000 em 12 vezes custa R$ 749 a menos de juros e IOF no empréstimo pessoal do que na fatura parcelada. A conta de empréstimo para pagar o cartão faz essa comparação com o seu valor.

Quem tem carteira assinada pode olhar também o Crédito do Trabalhador. A parcela sai direto do salário, e a taxa média foi de 3,75% ao mês.