Margem consignável do INSS. As três fatias do seu benefício
Se você é aposentado ou pensionista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), até 45% do benefício pode ir para o consignado. Consignado é o crédito com a parcela descontada direto do pagamento. Mas esses 45% não são uma coisa só, são três fatias.
A maior, de 35%, é para empréstimo. As outras duas, de 5% cada, são para dois cartões ligados ao benefício. O juro também tem limite, de 1,85% ao mês no empréstimo desde 4 de abril de 2025.

Como se dividem os 45% do benefício?
A parte do benefício que pode ir para descontos se chama margem consignável. A lei divide essa margem em três fatias, e uma não pode ser usada no lugar da outra.
Com benefício de R$ 2.500, por exemplo, a conta fica assim.
| Fatia | Parte do benefício | Com R$ 2.500 |
|---|---|---|
| Empréstimo consignado | 35% | R$ 875 |
| Cartão de crédito consignado | 5% | R$ 125 |
| Cartão consignado de benefício | 5% | R$ 125 |
| Fica livre de desconto | 55% | R$ 1.375 |
Mais da metade do benefício fica fora de qualquer desconto. Se você já tem um consignado, a parcela dele sai da fatia de 35%, e sobra menos para um empréstimo novo.
Nos dois cartões, o desconto paga a fatura ou um saque feito com o cartão. Essas fatias não servem para empréstimo comum.
Quem recebe o BPC, o Benefício de Prestação Continuada pago a idosos e a pessoas com deficiência de baixa renda, tem margem menor. São 35% no total, com até 30% para empréstimo e 5% para os dois cartões juntos.
Qual é o juro máximo do consignado do INSS?
No empréstimo, o teto é de 1,85% ao mês desde 4 de abril de 2025. Quem recomenda o limite é o Conselho Nacional de Previdência Social, e o INSS o aplica. Nos dois cartões, o teto é de 2,46% ao mês.
Os bancos cobraram em média 1,76% ao mês em setembro de 2026, segundo o Banco Central. A média fica um pouco abaixo do teto, por isso vale pedir a taxa de mais de um banco.
O teto já mudou bastante. Desde março de 2020, ele mudou 13 vezes. O menor, de 1,66% ao mês, valeu de junho de 2024 a janeiro de 2025, e o maior, de 2,14%, de dezembro de 2021 a março de 2023.
Quanto a fatia de 35% libera na mão?
Com benefício de R$ 2.500, a parcela do empréstimo pode chegar a R$ 875. Em 108 meses, o prazo máximo, a 1,76% ao mês, ela libera cerca de R$ 40.764 na mão.
Esse valor já vem sem o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), o imposto do empréstimo. Para receber esse dinheiro, você paga R$ 94.500 em parcelas, e mais da metade disso é juro e imposto.
No teto de 1,85% ao mês, a mesma parcela libera R$ 39.412. Mesmo dentro do limite, a taxa de cada banco faz diferença.
Vale a pena pegar no prazo mais longo?
A mesma parcela de R$ 875, a 1,76% ao mês, libera valores diferentes conforme o prazo.
| Prazo | Você recebe | Você paga |
|---|---|---|
| 48 meses | R$ 27.314 | R$ 42.000 |
| 72 meses | R$ 34.405 | R$ 63.000 |
| 84 meses | R$ 36.980 | R$ 73.500 |
| 108 meses | R$ 40.764 | R$ 94.500 |
De 84 para 108 meses, você paga R$ 21.000 a mais em parcelas para levar só R$ 3.784 a mais. Se você não precisa do valor todo, esticar o prazo não vale a pena.
Mesmo assim, o prazo longo é a regra. Em setembro de 2026, os novos consignados do INSS tiveram prazo médio de quase 93 meses, segundo o Banco Central.
Consignado ou crédito pessoal, qual sai mais barato?
No crédito pessoal comum, a taxa média foi de 6,42% ao mês em setembro de 2026. A mesma parcela de R$ 875, em 108 meses, liberaria só R$ 13.154.
Para quem recebe do INSS e tem margem livre, pegar crédito pessoal comum não vale a pena. O consignado custa bem menos, desde que o prazo seja o mais curto que cabe no seu mês.