Consignado CLT triplicou em dois anos. E o atraso dobrou

O consignado de quem tem carteira assinada passou de R$ 39,6 bilhões em setembro de 2024 para R$ 124,1 bilhões em setembro de 2026. É mais que o triplo em dois anos, segundo o Banco Central.

O atraso cresceu junto. Em um ano, a parte da carteira com parcela atrasada há mais de 90 dias subiu de 5,17% para 10,84%. O desconto em folha não protege você de uma parcela grande demais para o seu salário.

Crachá lilás com cordão roxo sobre uma pincelada amarela, ao lado de três pilhas de fichas roxas, rosas e laranja, cada uma mais alta.

O que mudou em março de 2025?

Em março de 2025, uma medida provisória criou o Crédito do Trabalhador. É o consignado de quem tem carteira assinada, com a parcela descontada direto do salário e o pedido feito no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital.

Em julho de 2025, a medida virou a Lei 15.179. O desconto pode chegar a 35% do salário que sobra depois do INSS e do Imposto de Renda.

A procura foi imediata. Os empréstimos novos dessa linha passaram de R$ 2,25 bilhões em março de 2025 para R$ 5,6 bilhões em abril. Em setembro de 2026, foram R$ 8,2 bilhões no mês.

O atraso subiu quanto?

O saldo da carteira subiu rápido depois da abertura do programa. O atraso caiu no começo e depois disparou.

Consignado de trabalhadores do setor privado, saldo e parte da carteira em atraso medidos pelo Banco Central até setembro de 2026.
MêsSaldo da carteiraAtraso acima de 90 dias
Setembro de 2024R$ 39,6 bilhões6,83%
Março de 2025R$ 41,6 bilhões7,74%
Setembro de 2025R$ 59,7 bilhões5,17%
Setembro de 2026R$ 124,1 bilhões10,84%

Os 10,84% de setembro de 2026 são o maior atraso dessa linha desde 2011, quando a série começa. No consignado do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o mesmo indicador ficou em 2,28%.

Quando o emprego acaba, o desconto em folha para. Até 35% da rescisão pode ir para quitar o saldo, e o que faltar você paga direto ao banco, por boleto ou débito.

Se você arrumar outro emprego com carteira, o desconto passa para o salário novo sem você assinar nada, dentro da margem desse salário. Até lá, a parcela que cabia no salário pode não caber mais.

O juro do consignado CLT é alto?

A média foi de 3,75% ao mês em setembro de 2026, segundo o Banco Central. No consignado do INSS, que tem teto, foi de 1,76% ao mês.

A lei não fixa um teto geral para o consignado CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). A exceção é o empréstimo com o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) em garantia, que não pode passar de 1,99% ao mês desde 26 de junho de 2026.

A taxa muda muito de um banco para outro. Na semana de 9 a 16 de outubro de 2026, as taxas de 54 bancos e financeiras iam de 1,59% a 5,61% ao mês.

Quanto uma parcela de R$ 500 libera?

Para comparar, a conta usa a mesma parcela de R$ 500 em 24 vezes. Em todas as linhas, você paga R$ 12.000 no total.

Taxas médias medidas pelo Banco Central em setembro de 2026 e teto do Ministério do Trabalho para o FGTS em garantia, já sem o IOF.
Linha de créditoJuros ao mêsVocê recebe
Consignado CLT com FGTS em garantia1,99%R$ 9.204
Consignado CLT, taxa média3,75%R$ 7.598
Crédito pessoal, taxa média6,42%R$ 5.859

Com o FGTS em garantia, a mesma parcela libera R$ 1.606 a mais que na taxa média. Para quem tem carteira assinada e precisa de empréstimo, o crédito pessoal comum não vale a pena.

Quando o consignado CLT vale a pena?

Vale para trocar uma dívida mais cara, como o rotativo do cartão, a 15,29% ao mês na média, ou o cheque especial, a 7,53% ao mês. Nesses casos, a mesma parcela paga muito menos juro.

Não vale para uma compra que pode esperar. Se a parcela tira dinheiro do mercado, do aluguel ou da conta de luz, não pegue. Ela segue com você mesmo se a renda cair.

Antes de assinar, compare a oferta de pelo menos dois bancos pelo Custo Efetivo Total (CET). Ele soma os juros, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) e as tarifas num número só.