Juros compostos, por que a dívida cresce mais rápido do que parece
Uma dívida de R$ 1.000 a 1,96% ao mês, sem nenhum pagamento, vira R$ 2.539 em 48 meses, e não R$ 1.941, como daria somando 1,96% por mês.
Essa taxa de 1,96% é a média que os bancos cobraram para financiar carro em setembro de 2026, segundo o Banco Central. A diferença de R$ 598 é o juro composto, o juro que passa a render juro no mês seguinte.
É por isso que a dívida longa assusta no fim. E é por isso que pagar antes economiza tanto.

O que são juros sobre juros?
No juro simples, a taxa incide sempre sobre o valor inicial. Os mesmos R$ 1.000 a 1,96% ao mês ganhariam R$ 19,60 por mês, todo mês, e chegariam a R$ 1.941 em 48 meses.
No juro composto, a taxa de cada mês incide sobre o saldo do mês anterior, que já inclui os juros passados. No primeiro mês a dívida vai a R$ 1.019,60. No segundo, os 1,96% incidem sobre esses R$ 1.019,60, e não sobre R$ 1.000.
No começo a diferença é de centavos. Em 24 meses, a dívida já está em R$ 1.593 no juro composto e em R$ 1.470 no simples. Em 48 meses, a distância chega a R$ 598.
É também por isso que 1% ao mês dá 12,68% ao ano, e não 12%. Na taxa média do carro, os 1,96% ao mês viram 26,23% ao ano.
Quando o banco disser a taxa ao mês, faça a conversão na calculadora de juros ao mês para ao ano antes de comparar com outra oferta.
Onde os juros compostos aparecem na parcela?
Num exemplo de carro de R$ 48.000 em 48 vezes a 1,96% ao mês, sem contar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras), a parcela é de R$ 1.552. Na primeira, R$ 941 são juros sobre a dívida inteira. Só R$ 611 abatem o que você deve.
Essa divisão segue a tabela Price, o sistema de parcelas iguais. A parcela não muda, mas a parte dos juros encolhe a cada mês, porque o saldo devedor diminui.
Depois de 24 parcelas pagas, metade do prazo, ainda faltam R$ 29.491. Você já pagou R$ 37.252, e a dívida caiu só R$ 18.509.
Quanto o prazo longo aumenta os juros?
Quanto mais meses, mais vezes os juros incidem sobre um saldo ainda alto. Os mesmos R$ 48.000 a 1,96% ao mês custam assim, conforme o número de parcelas.
| Prazo | Parcela | Juros no total |
|---|---|---|
| 24 vezes | R$ 2.526 | R$ 12.632 |
| 36 vezes | R$ 1.871 | R$ 19.360 |
| 48 vezes | R$ 1.552 | R$ 26.505 |
| 60 vezes | R$ 1.368 | R$ 34.051 |
Passar de 48 para 60 vezes baixa a parcela em cerca de R$ 185 e soma R$ 7.547 de juros. Em 24 vezes, os juros ficam abaixo da metade dos de 48 vezes.
Como fazer os juros compostos jogarem a seu favor?
A mesma conta vale ao contrário. Quando você paga uma parcela antes do vencimento, os juros que ela ainda carregaria saem da conta.
O Código de Defesa do Consumidor garante esse direito. Quem quita a dívida antes, no todo ou em parte, tem redução proporcional dos juros (art. 52, § 2º).
No exemplo do carro, a última parcela de R$ 1.552, paga junto com a primeira, sai por cerca de R$ 623, descontada pela taxa do contrato. Com dinheiro sobrando, veja na calculadora se vale mais amortizar no prazo ou na parcela.
Que taxa você deve pedir ao banco?
Peça a taxa ao ano e o custo total. A lei obriga quem financia a informar antes a taxa efetiva anual de juros e a soma total a pagar, com e sem financiamento (Código de Defesa do Consumidor, art. 52).
A taxa ao ano já mostra o efeito dos juros compostos. O CET (Custo Efetivo Total) soma ainda o IOF, as tarifas e os seguros, e é o número certo para comparar ofertas.
Para saber se a taxa que você recebeu está acima da média, use a calculadora da taxa alta, que compara a sua taxa com a do Banco Central.