O que é CET e por que ele é maior que a taxa de juros

Num carro de R$ 48.000 em 48 vezes, os juros dão 26,23% ao ano, e o CET (Custo Efetivo Total) chega a 28,59% ao ano só com o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

O CET é a taxa que soma tudo o que você paga no financiamento, os juros, o IOF, as tarifas e os seguros. Por isso ele fica acima da taxa de juros sempre que existe algum custo além dos juros.

O exemplo usa a taxa média de 1,96% ao mês que os bancos cobraram para financiar carro em setembro de 2026, segundo o Banco Central. Tarifa e seguro, quando existem, empurram o CET ainda mais para cima.

Carnê de papel aberto em leque, com faixas roxa, rosa e laranja nas folhas, sobre uma pincelada amarela.

O que entra na conta do CET?

Entram os juros, as tarifas, os impostos, os seguros e outras despesas ligadas ao contrato. Contam até as despesas pagas à parte, que não entram no valor financiado.

A regra é do Conselho Monetário Nacional, na Resolução 4.881, de 2020. Ela manda o banco mostrar o CET sempre como uma taxa ao ano, com duas casas depois da vírgula.

Taxa ao ano ajuda a comparar. Ela já traz o efeito dos juros compostos, os juros que rendem juros mês a mês.

Por que o IOF pesa mais do que parece?

O IOF é o imposto federal sobre o crédito. No exemplo do carro, ele dá R$ 1.559.

Quando o IOF entra no valor financiado, como na conta do exemplo, ele também paga juros por 48 meses. A dívida passa de R$ 48.000 para R$ 49.559.

Carro de R$ 48.000 em 48 vezes a 1,96% ao mês, a taxa média medida pelo Banco Central em setembro de 2026, sem tarifa nem seguro.
No exemploSem o IOFCom o IOF
DívidaR$ 48.000R$ 49.559
ParcelaR$ 1.552R$ 1.603
Total pagoR$ 74.505R$ 76.924
CET ao ano26,23%28,59%

A parcela sobe cerca de R$ 50 por mês. Em 48 meses, são R$ 2.419 a mais por um imposto de R$ 1.559.

O valor do IOF muda conforme o bem e o prazo. A matéria sobre o IOF no financiamento mostra a conta do carro, da moto e da casa.

O que o CET não mostra?

O CET deixa de fora o índice que muda durante o contrato, como a TR (Taxa Referencial) ou o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo). A resolução manda mostrar esses índices à parte, na planilha do contrato.

Isso pesa no financiamento da casa corrigido pela TR, a taxa referencial do Banco Central. Nos 12 meses até outubro de 2026, a TR ficou em 2% ao ano.

Esse aumento do saldo não aparece no CET. Numa oferta de imóvel, olhe também qual índice corrige a dívida.

O financiamento da casa pelo Sistema Financeiro da Habitação, o SFH, tem um teto de custo. A linha vale para imóveis de até R$ 2.250.000, e o custo efetivo máximo é de 12% ao ano, pela Resolução 4.676 do Conselho Monetário Nacional.

Esse teto também deixa de fora a TR, o seguro e a tarifa. Por isso a parcela da casa pode custar mais do que os 12% sugerem.

Como usar o CET para escolher a oferta?

Antes do contrato, o banco informa o CET e entrega uma planilha com o valor em reais de cada parte da conta, juros, imposto, tarifa e seguro.

Toda oferta de crédito que mostra a taxa de juros também precisa mostrar o CET. Se a loja ou o banco falar só da taxa ao mês, peça o CET por escrito.

Compare CET com CET, no mesmo prazo e no mesmo valor. Uma taxa de juros menor pode esconder tarifa ou seguro que deixam o CET maior.

Para saber se a oferta está cara, use a calculadora da taxa alta, que compara a sua taxa com a média do Banco Central.