Dívida das famílias passa de metade da renda. O que isso diz sobre o seu mês
As famílias brasileiras devem hoje 50,11% de tudo o que ganham em um ano. É o número de agosto de 2026, medido pelo Banco Central, o maior desde que a conta começou, em 2005.
Em janeiro de 2005, essa dívida era de 16,51% da renda. O dado que mais pesa no seu mês, porém, é outro. De cada R$ 100 que entram, quase R$ 29 já saem para pagar parcelas.

O que quer dizer dever metade da renda de um ano?
A conta soma tudo o que as famílias devem a bancos e financeiras. Depois divide pelo que elas ganharam nos últimos 12 meses. Em agosto de 2026, o resultado passou de 50% pela primeira vez.
Não foi um salto de um mês só. Em janeiro de 2015, o número estava em 39,63%. Em janeiro de 2022, já tinha chegado a 49,67%. Desde então, variou entre 47,61% e 50,11%.
Tirando o financiamento da casa própria, a dívida fica em 30,96% da renda de um ano. Esse resto é cartão, empréstimo, consignado e carro, crédito em geral mais caro e de prazo mais curto.
Quanto da renda do mês vai para as parcelas?
O Banco Central também mede o comprometimento de renda, a parte do que entra no mês que sai para pagar dívidas. Em agosto de 2026, ele chegou a 28,99%, o maior número de uma série que começa em março de 2005.
Como exemplo, numa renda de R$ 5 mil, essa fatia seria de R$ 1.449,50 por mês. É dinheiro que já tem destino antes do aluguel, da comida e da conta de luz.
| Parte da parcela | Fatia da renda | Numa renda de R$ 5 mil |
|---|---|---|
| Juros | 10,92% | R$ 546 |
| Amortização | 18,07% | R$ 903,50 |
| Parcela inteira | 28,99% | R$ 1.449,50 |
Amortização é a parte da parcela que de fato abate a dívida. O resto é juro. Quase R$ 4 de cada R$ 10 pagos em parcelas vão só para os juros.
A conta divide o que todas as famílias pagam pelo que todas ganham, inclusive as que não devem nada. Para quem tem dívida, a fatia costuma ser maior que a média.
Onde o atraso aparece primeiro?
O atraso também subiu. Em setembro de 2026, 5,99% do que as pessoas devem aos bancos tinha parcela atrasada havia mais de 90 dias. Um ano antes, eram 4,89%.
No rotativo do cartão, o número chega a 65,61%. Rotativo é o saldo que fica para o mês seguinte quando você paga menos que a fatura inteira. Quase dois terços desse saldo estão atrasados.
É também a linha mais cara do mercado, com juros médios de 15,29% ao mês em setembro de 2026. A conta do rotativo mostra quanto uma dívida cresce lá dentro em um mês.
Como saber se as suas parcelas pesam demais?
Some todas as parcelas do mês, de cartão, empréstimo, carro e carnê. Divida o total pela renda que de fato entra na conta. Se passar dos 29% da média do país, sobra pouco para imprevistos.
Depois olhe a taxa de cada dívida. Duas parcelas do mesmo valor podem esconder juros muito diferentes. A conta de taxa alta compara a sua com a média do Banco Central.
Quem deve no cartão quase sempre paga menos trocando essa dívida por um empréstimo mais barato. A conta de empréstimo para pagar o cartão mostra a diferença em reais.
No fim do ano, o 13º salário ajuda a quitar primeiro a dívida mais cara. A conta do 13º para pagar dívidas diz por onde começar.